sexta-feira, 9 de março de 2007

Um pé de água

Nascemos assim, imersos.

De repente a represa estoura, e ficamos sem ar, quer dizer... sem água
Não fosse pelo cordão, acho que morreríamos tod@s, e nem eu nem você estaríamos aqui, lendo esse enxágüe.

Mas no fim, todo mundo acaba debaixo da água mesmo. Por isso estou escrevendo

Andamos todos os dias ultimamente pensando no que vai ser do futuro do nosso mundo, que de tão grande que se tornou, ficamos pequenos demais para fazermos alguma coisa.

Pensamos no aquecimento global, principalmente agora que virou notícia de televisão, e todo tipo de “especialistas em meio ambiente” dão a sua opiniãozinha na tv. Afinal, quem não quer ganhar um troco com a mais nova febre do mundo: a febre do mundo.

É isso mesmo, parece que o mundo está com febre, e nós somos os corpos estranhos do qual ele quer se livrar. Infelizmente, nós e todos os demais seres vivos do planeta. Pelo jeito vai sobrar pouco se a febre passar dos 40º. Na verdade, a febre da terra sobre bem devagarinho, e isso é assustador, porque vamos nos adaptando.

Há um termo em ciência, particularmente em física, denominado de criticalidade auto-organizada, assim chamado por Per Bak, seu idealizador. Essa propriedade física diz que, quando um sistema atinge um limite de suporte, ele entra em colapso, e sua estrutura se modifica completamente, tentando voltar à situação original, mas com severas transformações. Em outras palavras, um exemplo clássico é um monte de areia. Vamos jogando grão por grão, até que acontece uma pequena avalanche. A avalanche acontece quando o limite de altura do montinho de areia é ultrapassado, e ele desaba para os lados.

Com a temperatura da terra passa o mesmo. O planeta tem um equilíbrio térmico para lá de extremamente frágil, delicado, e tem uma capacidade de suporte muito pequena. Nosso problema maior é que ninguém sabe exatamente até que temperatura a terra agüenta ser esquentada, mas há um consenso geral de que é muito muito pouco, provavelmente menos de 2 graus Célsius.

Mas não é para desanimarmos tão facilmente. Esse quadro que estão pintando por aí de que boa parte da superfície terrestre vai se tornar desértica, e isso vai será seguido de uma nova era glacial, nada disso é irreversível. Talvez demore uns 10 ou 15 mil anos para voltar a ser como é agora... Teremos muito tempo para arrependimentos. eheheh


Mas como o assunto é sério, e estamos falando da vida de bilhões de seres humanos, e literalmente da vida de todos os seres vivos no planeta, nem só de brincadeiras se deve fazer esse texto. Sim, há alternativas, e para variar, estão maquiadas por detrás da propaganda sensacionalista dos meios de comunicação de massa. Dizem que a solução é o álcool, dizem que a solução é você que anda de carro começar a andar de ônibus... Sim, claro que isso ajuda. Mas ajuda muito pouco, comparado com tudo o que é preciso fazer, e é urgente, realmente urgente.

Parece até que voltamos à idade da pedra, com uma solução como essas, mas é verdade, e há consenso sobre isso (e consensos são raros no meio científico!). Uma solução viável para conter o aquecimento global e não ficarmos debaixo d’água no novo dilúvio, ou totalmente sem água nos grandes desertos, é plantarmos árvores, por um motivo simples: o principal causador de efeito estufa e aquecimento global é o excesso de carbono na atmosfera (tanto o gás carbônico – CO2, quanto o metano CH4), e as árvores mantém o carbono preso no tronco (os nomes das substâncias que fixam carbono são lignina, celulose, entre outras). Árvores. Quem diria... Se soubéssemos, não teríamos arrancado todas as árvores frutíferas para produzir carvão para siderúrgicas, para fabricar tijolos, para plantar grãos e criar gado. Se soubéssemos disso, teríamos optado por alternativas melhores, quando havia tempo. Mas ao invés disso, nos convenceram de que a soja, o gado e o frango eram a solução para a fome do mundo, e que o cimento, o aço e os tijolos seriam a solução para a falta de moradias no mundo, e principalmente, nos convenceram de que isso tudo sairia muito barato. Bem... agora vemos quem pagou a conta: o planeta inteiro paga, com o aquecimento global.

Sim, estou afirmando que o aquecimento global é responsabilidade de algumas pessoas, empresas, governos, e também (mas só um pouquinho) responsabilidade das pessoas que consomem estes produtos, que por ignorância, ajudam a aumentar os problemas de tod@s nós.

As contas são simples. Basta pegar o total de carbono que tem em suspensão na atmosfera agora, comparar com o que tinha antes do século XV (é possível fazer isso através de diversos meios, como por exemplo as camadas de gelo dos pólos), e ver quanto está sobrando. Isso dará um total... Esse total, você divide pelo quanto 1 árvore consegue fixar de carbono. O resultado será a quantidade de árvores que é preciso plantarmos de novo na superfície da nossa casa-terra.

Para começar, sugiro 15.000.000.000 (isso mesmo, quinze bilhões de árvores). Quem dá mais?

Quinze bilhões nem é muito.

Se apenas 1, 1 árvore por dia for plantada por cada habitante do Brasil, em menos de 3 meses já estaria feito, e seria só deixar crescer. Vai, gente... é muito pouco trabalho e muito pouco tempo para ajudar salvar o mundo!

Só para lembrar... as principais fontes de água potável utilizada pelas pessoas do mundo inteiro são fontes que vêm de florestas. Para cada pé de árvore plantada, plantamos vários pés de água, que suprem as necessidades de tod@s nós


E aí, o que me diz? Eu já comecei

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