quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Aprender Continuamente


Os hábitos são o poder de repetirmos

Na continuação, o que segue é o que veio antes, e o inesperado é o novo, original, criativo.

Mas sempre o velho é mais experiente e o novo mais imaturo

Isso era uma pergunta.

Entre os edifícios tão cinzas, com pequenos e feios detalhes com cores cerâmicas, pastéis, o amor-pastel faz do cotidiano cinza uma continuação sempre com experiências já conhecidas, sempre maturidade esperada, sempre do mesmo jeito, tedioso, morno e sem graça.

Aprender com o novo. Isso exige criatividade consigo mesmo

Isso era uma pergunta
Inovar parece um dilema grave e precioso na arquitetura, no desenho, porque a inovação implica a imaturidade, porque a inovação implica a exigência de aprender, implica deixar o tédio e lançar-se nas cores, nas formas, nos materiais, na emoção de descobrir-se.













Lançar-se à vida, experiência sempre inovadora

Isso não é uma pergunta

Há quem diga que as nuvens tapam o sol, obscurecem a visão e nos deixam taciturnos. Concordo apenas em pequena parte, pois podemos fechar os olhos, e o cinza do céu já não nos molesta, nos restam todos os outros sentidos para viver, mesmo fechados os pequenos orifícios úmidos. Construir algo com o permanentemente conhecido não exige muito de ninguém, não exige muita experiência, nem criatividade. Tampouco oferece aprendizado.

Aprender exige lança-se

Isso é uma afirmação

As montanhas, de entre as entidades que conhecemos no nosso pequeno mundo, são os seres que mais aprendem de entre todos. E por que?
Bem... penso, sinto e vejo, de dias e de noites, que as peles e carnes das montanhas são trocadas, que o movimento sempre é diferente, que as nuvens cinzas ou brancas ou inexistentemente azuis ou negras de noite, são apenas um jeito do hálito dos bosques, campos, pedras, águas, terra e rocha. As nuvens são a parte visível do hálito do planeta. Entre as entidades que aprendem, as nuvens são as mais criativas, porque de um pequeno conjunto de fatores: sua composição e a origem do seu movimento, água e calor, elas formam todas as formas que existem, e formarão todas as formas que não existem também.













Com o céu negro há estrelas, mesmo invisíveis

Fechar os olhos à noite permite sentir a intuição do caminho, que está debaixo dos pés. Juntos, o caminho e os sentidos permitem que o tato e o equilíbro funcionem juntos, na propriocepção do movimento exploratório. Descer trilhas de montanha na floresta sem visão: propriocepção exploratória... uma delícia

Aprender não é um lançar-se, é um ir-se.

Vou a mim mesmo nesta afirmação

Aprendo com o cotidiano, e vejo meus mestres a cada dia, a cada instante.
A cada dia, a cada instante, o outro é o nosso mestre.
É quem nos ensina como devemos ser naquele momento, e nos ensina como aceitar aquele momento

Tudo tem limites, até a criatividade, até a esperança e a expectativa. Tem limites até a paz e a humildade, a liberdade, e a vida. Os limites das coisas são a sua borda, aquilo onde ela termina e vira outra, onde termina a mesa e vira o espaço cheio de ar; onde terminam os meus dedos e começam as letras desenhadas no teclado, onde termina o vidro do monitor e começa a direção da sua visão.
O limite da visão é onde a vista alcança





















Cada um dá o que tem, e isso não tem limites


Na caminhada da experiência, aprende mais quem arrisca mais, amadurece mais quem cria mais, envelhece mais quem repete mais.

Importam os padrões, e importam ainda mais as verdades que sentimos neles

Equilíbrio entre os hábitos e a sua superação, esse equilíbrio é um jeito de dizer: aprendizagem contínua

amar é aprender continuamente

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Sobre porque escrever

Ontem comprei um livro

o autor se chama Miguel, é um espanhol não sei de onde ainda, porque vou começar a ler o livro hoje.

É um livro que provavelmente faz tempo quero ler, e que até agora não o havia encontrado, mas vou começar hoje.

Seu nome é Andanzas y Visiones Españolas, e está escrito em castellano. Sinto gosto pela leitura neste idioma porque já faz 57 dias que deixei España. Parece muito tempo, e é.

Um livro sobre paisagens, que conta com olhar filosófico o que se sente quando se vai até um lugar fazer política de si mesmo.
Política, a coexistência de vontades em tentativas de realização. Vontades opostas no mesmo indivíduo.

Sempre me questionei se a palavra indivíduo servia de fato para expressar a composição múltipla das pessoas e das coisas, nas suas categorias que somos. Indivíduo, como se não pudéssemos nos dividir, como se já não fôssemos divididos ao extremo.

As expressões que usamos para distinguir elementos das paisagens é que nos tornam mais e menos individuais, paisagens interiores, paisagens de emoções e pensamentos, paisagens são teorias, do grego theorien, que faz menção a teatro, o cenário onde tudo acontece. Se diz que os elementos do teatro são o palco, o texto, os atores e o público. Uma teoria é o mesmo, uma paisagem também. Nossas paisagens interiores são a teoria dos afetos, a área da música em que se estudam os sentimentos que os sons provocam. Dizem que são universais entre as pessoas...

Andanças são pequenas caminhadas de muitas jornadas, que fazemos para desenroscar os ligamentos e obrigar os tendões e ossos a trabalharem numa cooperativa chamada organismo. Política orgânica. Olhando a paisagem do corpo vejo que há mais ecologia na saúde do que em qualquer outro ecossistema. A saúde como um ecossistema? Não... a saúde como um efeito de um ecossistema. Registro publicamente o conceito, pois é um resultado. Uma teoria que compõe publicamente os elementos do nosso teatro interior, e o resultado é a saúde-espetáculo.

A saúde é um espetáculo oscilante: os atores utilizamos o palco do corpo para criar e des envolver o nosso con texto.

Entendeu?

Simples :)
Há um texto comum, compartilhado entre nossas múltiplas vontades. Às vezes algo em nós resolve ler o texto da nossa vida em castellano, e todo o restante do nosso elenco está bastante acostumbrado a leer en portugués. Parece fácil entender, pero a ratos hace un lío, eh.
Quando as partes do ¿indivíduo? se reúnem e conseguem interpretar o contexto todas juntas, dizemos que há saúde. E quando não conseguem, dizemos que há doença. O espetáculo não acaba quando o público vai embora. O espetáculo acaba quando o palco cai, os atores o deixam, o texto deixa de ser lido, e o público sente sua falta.

Um palco em movimento, contexto de atores orgânicos e auto-apreciação. Vivam a amizade e o amor

Saúde em outras palavras é uma mistura de amor e amizade, a philia, ou filia que nos permite conversar e nos entendermos mesmo em idiomas distintos, só com os olhares e sorrisos. Filia é o que traz os orgasmos duradouros e o que traz a abundância sem repressão nos povos. A filia é quando o público não quer ir embora do teatro depois que acaba o texto.

Durante as andanzas, sempre notei que as performances são o que possibilita que a vida seja sempre e sempre criativa, bifurcações de decisões que desfazem o padrão envelhecido e que criam o padrão de aprendizagem continuada. Só envelhece quem não aprende, estou aprendendo.

Escrevo porque ando, e andar me mostra as paisagens de outros pontos de vista, me muda as vistas de cada ponto de onde olho e vejo. Olhar e ver é participar das paisagens como seu construtor. Sou como você, um construtor de paisagens interiores. Construímos a cada passo e a cada dia as paisagens do nosso cotidiano emocional e intelectual, produzindo o espetáculo-saúde ao tentar fazer do indivíduo-nós um ser múltiplo e único.

Deixo esta casa agora, que me acolheu desde que cheguei de volta à Ilha de Santa Catarina, Floripa, e aqui deixo também uma foto da sua janela






Amo as relações,
como as folhas das árvores amam
refletir o verde da luz do sol





E você, ama?