domingo, 30 de novembro de 2008

Íris e a busca pelo pote

Encontrei

viajei muito detrás desse tempo, e agora o sol se abriu,
sinto a primavera na flor da minha idade

Faz 3 meses chove em Florianópolis,
tudo está inundado de emoções na santa e bela catarina,
milhares de milhões de vontades foram carregadas
pelo chumbo que cai do céu

a caminhada do véu se despia
enquanto o vértice corria de mim, do meu peito,
em direção a fora, e meus braços compridos não podiam segurá-lo

Via, sem sobremaneira a cor múltipla do céu-sem-nuvens que
sempre horizontava, guiava a verdade iluminogravada,
ariana (canceriana)
que vimos juntos há pouco no museu em Porto Alegre.

Arco-íris se mergulhava sem cair, porque cair é sinônimo de passado:

levantar-se é o presente

de criança seguia uma lenda,
e procurava em mim o mestre que jamais existiu,
gota d'água desterrada d'oceano: nuvem sobre o território


Procurava pela riqueza

talvez a tenha encontrado no próprio caminho, e comido,
porque satisfeito permaneci magro e integral

no fundo do céu havia um aro completo, que
se sobrepunha em movimento à verdade


percebi meu valor de riqueza quando senti que podia me amar,
me dei conta
que podia alimentar de esperança a validez do aprendizado,
e me tornei ensinamento para mim, por isso viajava

mas te conto, só te conto para continuar a conversa
sobre a semeadura de esperança
do fundo do mistério a resgatei e pretendo semear a lanço,
com berços e ornas à mão, pois o artesanato é cotidiano
e detrás do céu descobri o que há

e só quando descobri pude ver

vi o que há no fim do arco-íris, encontrei sua origem e ponto
havia lá um pote de ouro

recentemente o apanhei
chegou aos meus braços pelo segredo que conheço,
e dourada foi minha noite antes mesmo de ver o sol entre a chuva,
que mostra o arco-íris e permite a busca do seu ponto sem retorno

ponto sem retorno é de onde passei, jamais voltarei àquele lugar

aqui no campeche
vejo o brilho do sol nos verdes que sobem pilares à caixa d'água,
diante da janela do quarto onde estou,
há bicicletas e sino dos ventos, pois há ventos


os arco-íris abriram o mundo para mim


no seu fundo encontrei, e dourada é a mescla

gostaria de saber escrever
para tornar em ouro os corações dos homens e das mulheres
mas a cada um é dado um dom, e o meu dom é o de olhar

apenas gostaria de contar o que vejo ao te ver,
e gostaria de saber escrever e te tocar com as palavras,
como sou tocado por meus olhos por sentir o mundo que é


calma é a força que constrói o ideal na terra


encontrei meu pote de ouro no fim do arco-íris
terei moedas para sempre pra te dar

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