tentei sorrir pelo tempo disponível
trocava de pele cada instante em que a mente se acalmava
mesmo sentindo insensato o apelo da procura
continuava
tornar a sorrir pelo tempo
e disponível refazia cada ato
comentava o caminho da censura
e voltava
repetia
repetia que ser disponível pelo tempo
é sorrir a mente trocando cada instante pela pele
refazendo em cada ato o frescor da compostura
verdade
nem menos verdade que a tortura
é o tempo que se leva prá sorrir,
quando certo é o fim do sofrimento
capaz de arrancar da dor
o alento
tentava sorrir por todo o tempo
desde que começava a zoar,
força do vento roçava minha orelha
e trazia à minha mente ouvido
o alimento
o alimento dos olhos é a sombra
porque quando a retiramos é que a fome vem
cantada ou desmaiada pelo oculto
a sombra é o alimento do olhar
ainda bem
consegui sorrir por tempo o todo
e o olhar iluminou a descensura
tocou com o vento a mente meu ouvido
cantada a sombra foi-se ao tempo meu,
desconhecido
verdade sem nenhuma formatura
e sigo
sorrindo
trago até meus olhos teu umbigo
e faço o sol nascer sem sombra alguma