sábado, 6 de novembro de 2010

sombralguma

tentei sorrir pelo tempo disponível
trocava de pele cada instante em que a mente se acalmava
mesmo sentindo insensato o apelo da procura
continuava

tornar a sorrir pelo tempo
e disponível refazia cada ato
comentava o caminho da censura
e voltava

repetia

repetia que ser disponível pelo tempo
é sorrir a mente trocando cada instante pela pele
refazendo em cada ato o frescor da compostura
verdade

nem menos verdade que a tortura
é o tempo que se leva prá sorrir,
quando certo é o fim do sofrimento
capaz de arrancar da dor
o alento

tentava sorrir por todo o tempo
desde que começava a zoar,
força do vento roçava minha orelha
e trazia à minha mente ouvido
o alimento

o alimento dos olhos é a sombra
porque quando a retiramos é que a fome vem
cantada ou desmaiada pelo oculto
a sombra é o alimento do olhar
ainda bem

consegui sorrir por tempo o todo
e o olhar iluminou a descensura
tocou com o vento a mente meu ouvido
cantada a sombra foi-se ao tempo meu,
desconhecido

verdade sem nenhuma formatura

e sigo

sorrindo

trago até meus olhos teu umbigo
e faço o sol nascer sem sombra alguma