Por passar o dia no quarto coincidi com minhas contendas
buscava desde ontem letras minúsculas em mim para te contar
buscava há 2 meses um jeito de dissimular o que sentia
buscava há 20 anos e mais maneiras de continuar
E porque não desisti te escrevo
a leve e mais leve sensação de que se ama
compensa as contendas
as resolve
Essa semana recebi um convite para dar uma palestra em um encontro que nem imagino o tamanho. Vai ser na bolívia e se chama fórum social ecológico mundial. Vamos ver
E calhou de me inscrever também para ir a Porto, no
seminário internacional de agroecologia.
Vai haver pessoas que conheço lá, e talvez possa mesmo
concluir a tese esse ano.
Vou gostar muito de fazer isso!
As pequenas contendas que fazem a vida ter graça colocam, diminutas, letras no meio, entre a vida e a graça, porque
nos misturamos demais com os pensamentos. E os pontos,
no lugar de costurar nossas mentes planas,
destecem os perfuros, que deixam vazar
o líquido amniótico do prazer
Agora
agora é um prazer que passa
acho que as contendas são um único jeito do agora ser antes e depois de si
de tão misturados em memóriexpectativas a respiração só enche os peitos porque está acostumada... sem prazer, a vida some e
as letras ficam maiúsculas
passei o dia no quarto, e resolvi todos os problemas do mundo
hoje já não há contendas
costurarei o agora a todos os lugares onde for, com as tendas que insolam a sombra, e farei abrigos de esperança para o sol que ilumina todos os tempos
Parece que a charada do mundo é aproveitar bem os tempos e os espaços, e os outros fazerem o mesmo junto com a gente
domingo, 26 de outubro de 2008
sábado, 18 de outubro de 2008
Trans
Estive escrevendo um projeto de pesquisa esses dias
fala sobre transportes
é uma proposta de investigação, meio que um jeito de a gente se aproximar do que gostaria que existisse, através de uma pergunta. Entende?
é como perguntar:
você gosta de mim?
e, independente da resposta, a gente já se aproximou. As conseqüências da pergunta vêm sempre depois, mas perguntar já é aproximação
pesquisar é isso, prá mim: uma aproximação
e notei que para me aproximar, preciso me mexer.
o tranporte que faço desde o meu receio de interferir, até perguntar, é esse desbloqueio, livre e frágil, que se desentende do medo e salta no escuro
cai com os dois pés
onde?
aí, me transportei prá dentro da alma, e reparei que lá os sistemas de transportes são distintos. Não havia ônibus
só cicletas, multicicletas
coisinhas que ficam girando o tempo todo, e que muitas vezes passam pelo mesmo lugar, uma espécie de eterno retorno, tipo nietzsche. Reparei que o transporte do que quero até ter é meio cíclico, e que aprender continuamente envolve reproduzir o hábito de conseguir.
Amar é conseguir :)
Hoje estou amando de novo. Fazia meses que não sentia isso inteiro dentro do peito. Desde abril, acho. Há pouco (pouquinho) vi umas fotos, e me derreti todo. Vontade de estar lá longe, com a neve nos olhos. Essa hora já estará amanhecendo?
Cachos
Transportaria o amar do amor para o fundo das multicicletas, e reverteria o ciclo dela, da rodinha que faz de conta samsara
Mesmo com a intuição bonita, meio que pervejo que o desterro continua. Porque os transportes seguem transitórios, e o peito segue o caminho.
Agora que estamos em crise (oficialmente :), os transportes vão ficar mais interessantes, porque o dinheiro vai faltar por aí, e a frivolidade diminui do tamanho da honesta consciência de cada qual.
É bem bom voltar a viver, te confesso!
A anedonia mistura o transitório com o desistino, e tira o pró pósito dele mesmo. Já não há conteúdo no amor, e ele fica vácuo. Ainda bem que sobrou nesga, e tá tudo rebrotando, depois da geada e da inundação. Agora, uma primavera levemente úmida, seguida de um verão com chuvas bem distribuídas, e vento leve, brisa cálida.
A calmaria que me contém será a mesma que a sua?
Não.
A calmaria não me contém
Transpasso a verdade com o olhar, e vejo no fundo do espelho que o feitiço se quebrou
Agora, a crise instalada vai dar luz e voz aos 15 anos silenciados
e a hierarquia, ouvida, faz de novo do amor a lei
Estou a caminho, querida
fala sobre transportes
é uma proposta de investigação, meio que um jeito de a gente se aproximar do que gostaria que existisse, através de uma pergunta. Entende?
é como perguntar:
você gosta de mim?
e, independente da resposta, a gente já se aproximou. As conseqüências da pergunta vêm sempre depois, mas perguntar já é aproximação
pesquisar é isso, prá mim: uma aproximação
e notei que para me aproximar, preciso me mexer.
o tranporte que faço desde o meu receio de interferir, até perguntar, é esse desbloqueio, livre e frágil, que se desentende do medo e salta no escuro
cai com os dois pés
onde?
aí, me transportei prá dentro da alma, e reparei que lá os sistemas de transportes são distintos. Não havia ônibus
só cicletas, multicicletas
coisinhas que ficam girando o tempo todo, e que muitas vezes passam pelo mesmo lugar, uma espécie de eterno retorno, tipo nietzsche. Reparei que o transporte do que quero até ter é meio cíclico, e que aprender continuamente envolve reproduzir o hábito de conseguir.
Amar é conseguir :)
Hoje estou amando de novo. Fazia meses que não sentia isso inteiro dentro do peito. Desde abril, acho. Há pouco (pouquinho) vi umas fotos, e me derreti todo. Vontade de estar lá longe, com a neve nos olhos. Essa hora já estará amanhecendo?
Cachos
Transportaria o amar do amor para o fundo das multicicletas, e reverteria o ciclo dela, da rodinha que faz de conta samsara
Mesmo com a intuição bonita, meio que pervejo que o desterro continua. Porque os transportes seguem transitórios, e o peito segue o caminho.
Agora que estamos em crise (oficialmente :), os transportes vão ficar mais interessantes, porque o dinheiro vai faltar por aí, e a frivolidade diminui do tamanho da honesta consciência de cada qual.
É bem bom voltar a viver, te confesso!
A anedonia mistura o transitório com o desistino, e tira o pró pósito dele mesmo. Já não há conteúdo no amor, e ele fica vácuo. Ainda bem que sobrou nesga, e tá tudo rebrotando, depois da geada e da inundação. Agora, uma primavera levemente úmida, seguida de um verão com chuvas bem distribuídas, e vento leve, brisa cálida.
A calmaria que me contém será a mesma que a sua?
Não.
A calmaria não me contém
Transpasso a verdade com o olhar, e vejo no fundo do espelho que o feitiço se quebrou
Agora, a crise instalada vai dar luz e voz aos 15 anos silenciados
e a hierarquia, ouvida, faz de novo do amor a lei
Estou a caminho, querida
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