sexta-feira, 9 de março de 2007

Sempre buscamos conforto

Olá,

Converso freqüentemente com biólogos, sobre diversos assuntos. Um deles, que me fascina bastante, é sobre a teoria da evolução. Como filósofo, me esforço na oportunidade de fazer questionamentos que nem sempre as ciências podem fazer a si próprias.
Nessas conversas com pesquisadores e estudantes de biologia, comumente me confirmam que o ser humano, como qualquer outro ser vivo, sempre busca o conforto, além do alimento e da reprodução.

Nessa linha de "buscar o conforto", criamos, nós-pessoas, todos esses aparatos científicos e tecnológicos que nos rodeiam diariamente, como o computador que você provavelmente está usando agora.

Pois bem, eu também busco conforto.

Estou escrevendo junto com mais pessoas um projeto de pesquisa científica sobre a eficiência de telhados vivos.

Telhados vivos são coberturas vegetais, que podemos utilizar sobre as edificações, sejam casas, hospitais, armazéns, restaurantes, garagens; qualquer coisa que possua teto.

Essas coberturas tem uma função básica: aumentar o conforto térmico e acústico do ambiente sob o telhado.

Mas como isso funciona?
Além de já ter participado da construção de alguns, e de estar sempre procurando algo para ler sobre o assunto, costumo procurar por conhecimento científico, que ajuda bastante na hora de compreender melhor aspectos técnicos da eficiência, implantação, manutenção e custos de praticamente quaisquer tecnologias ecológicas.

Umas noções básicas de física, na área de transferência de calor ensinam que a temperatura é a medida do grau de agitação das moléculas, e que os corpos trocam calor, sempre trocam calor.

E como cada corpo tem sua composição própria, como uma telha de cerâmica, ou uma camada de grama sobre terra, esses corpos também trocarão calor, de acordo com sua composição.
A velocidade de troca de calor depende dos materiais. O nome disso é condutividade térmica.

O que acontece é que os telhados vivos tem uma condutividade térmica muito menor que as coberturas convencionais de metal, cerâmica ou concreto, e por isso trocam calor muito mais devagar.
Em termos práticos, tudo isso significa que as construções com telhado vivo são mais fresquinhas quando está fazendo um calorão, e mais quentes mesmo no inverno mais frio.

Além disso, as plantas em cima do telhado, normalmente plantinhas que crescem pouco, como algumas espécies de grama, elas ajudam na despoluição do ar, atraem passarinhos (que já são uma raridade em cidades grandes), e também regulam a temperatura do meio externo, diminuindo alguns dos principais problemas do efeito estufa.

Estes e vários outros motivos funcionais já justificariam o uso generalizado de telhados vivos sobre as edificações. E mais, tapetes de grama natural são mais agradáveis e bonitos que telhas sujas, mas talvez isso não seja consenso entre as pessoas... Se fosse, creio que muito mais gente teria em casa os telhados vivos.

Na busca por conforto, nem sempre lembramos na pesquisa tecnológica e científica que algumas soluções podem ser mais baratas e eficientes do que outras. Vamos realizar esta pesquisa para ter mais conhecimentos técnicos e científicos que nos permitam dizer com segurança, por exemplo, que em alguns casos um bom telhado vivo é tão eficiente quanto o ar condicionado, no verão e no inverno.
Os mais aptos se adaptam ao meio gastando menos energia. Afinal, o que seria da teoria da evolução de Darwin se não pudéssemos escolher entre algumas condições boas e outras ruins?

Se você quiser saber um pouquinho mais a respeito dos telhados vivos, vão alguns links:

http://www.ces.fgvsp.br/index.cfm?fuseaction=noticia&IDnoticia=56484&IDidioma=1
http://www.unicamp.br/unicamp/canal_aberto/clipping/fevereiro2006/clipping060212_folha.html#4

E vários outros, procurando em algum site de busca da internet como "telhado vivo", "telhado verde", ou "telhado jardim".

Abraços confortáveis,
Daniel Habib

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