terça-feira, 27 de março de 2007

Minha Primeira noite em Cordoba

Ontem quando saí de Madrid, tomei um ônibus para Cordoba, passei por muitos lugares interessantes, cheios de campos verdinhos de terra lavrada e trigo nascendo, casas de pedra, casas de adobe, muitas casas de tijolos, construções de 10 anos, de 100 anos, de 1000 anos. Quando mais me dirigia ao Sul, mais o branco era evidente nas construções, e só hoje ficou mais claro para mim. No inverno é quando chove aqui, e no verão faz um calorzinho, uns 50ºC, com umidade de 10%, por uns 3 ou 4 meses... Casas com pé direito de 4,5m de altura, paredes maciças de 50, até 80cm de espessura, ruas em curva, com 1m de largura entre as paredes de cada casa, e todas as casas perfeitamente geminadas.
O calor é bem vindo quando é salutar, como tudo...

Caminhei ontem por um bairro chamado de Juderia, que foi construído ao longo dos séculos V e VIII, e que está aí, de pé, até hoje... nas ruas, caminhando misturado entre as casinhas (todas com varandas e floreiras) de vez em quando surgia alguma construção diferente, com aspecto um pouco mais antigo, como o museu etnológico, datado do império romano lá pelo século II, ou pórticos com pilares em espiral,
ou t a n t o mais

Na catedral, à noite, fui assistir à Orquestra Sinfônica e Coral de Minsk. A música era ainda mais envolvente porque se misturava entre os pilares, arcos geminados, blocos de mármores, tijolos, tristeza, glória, memórias, fé, ganância, convivências de mais de 15 séculos. Os pilares e os arcos produziam uma acústica espantosa, por causa dos múltiplos ecos ao longo das centenas de metros em todas as direções debaixo dos arcos geminados góticos e das cúpulas árabes
(breve no blog umas fotos disso tudo, inclusive da música!!!)

Hmmm
depois de me perder e caminhar mais de 1 hora na Juderia entre essas ruas, cheguei finalmente ao albergue onde passei a noite, e havia um italiano no meu quarto, dividindo-o comigo, naturalmente. Quando cheguei, depois de ouvir de novo mais de 30 idiomas durante o dia, subi as escadas com 2 alemãs e entrei na porta de aço colorida com um grafiti (é assim que se escreve?)

Aí acordei de manhã e liguei para a Universidade, onde fui muito, muito, muito bem atendido, encaminhado, e logo uma pessoa me encontrou de bicicleta onde eu estava, peguei minhas mochilas no albergue e deixei na casa de 3 alunas do mesmo curso que eu, que moram ali perto (na Juderia), peguei o trem, e aqui estou, resolvido pelos próximos 12 meses.

E, para variar, feliz, num dos últimos dias de chuva na España antes do outono
E para ti, para nós, todos os abraços beijos que couberem na vida!

Da nico

segunda-feira, 26 de março de 2007

De casa em Casa

Tempo bom e frio
ar seco, çéu azuli em Madrid

Ontem aprendi que ser humano é ótimo
aprendi que a música é muito mais surpreendente que os ouvidos
aprendi que caminhar purifica a alma e o cansaço, e limpa a expectativa
aprendi que a arrogância é irmã da ignorância
aprendi que o modernismo é só o pedacinho mais tosco do idealismo da modernidade
aprendi que não há mente humana que seja capaz de satisfazer a experiência coletiva
aprendi que andar a pé em Madrid é compensador
aprendi que olhos argutos são comuns a culturas intelectuais
aprendi que a saudade só passa se não a compartilhamos com outra saudade
aprendi que gostar é muito mais que estar

e caminhei, e vi umas coisas interessantíssimas no Centro de Madrid, ouvi uns 30 idiomas diferentes só hoje, desde o Quêchua, Tailandês, Búlgaro, Português, Inglês, Francês, Árabe, e muitos africanos, e sei lá mais quais
comi uns docinhos ótimos, mesmo sendo de ontem
entrei em várias igrejas e chorei em quase todas, por reconhecer nas pessoas o poder da fé
Vi beleza na arquitetura, e me percebi próximo dela como acho que nunca antes

E então fui dormir, porque agora que amanheceu viajo para o Sul, Cordoba, antiga Capital Cultural da Europa... se isso pareceu muito, nem imagino o que será que vem pela frente

té logo

beijos
Dani

sexta-feira, 9 de março de 2007

Um pé de água

Nascemos assim, imersos.

De repente a represa estoura, e ficamos sem ar, quer dizer... sem água
Não fosse pelo cordão, acho que morreríamos tod@s, e nem eu nem você estaríamos aqui, lendo esse enxágüe.

Mas no fim, todo mundo acaba debaixo da água mesmo. Por isso estou escrevendo

Andamos todos os dias ultimamente pensando no que vai ser do futuro do nosso mundo, que de tão grande que se tornou, ficamos pequenos demais para fazermos alguma coisa.

Pensamos no aquecimento global, principalmente agora que virou notícia de televisão, e todo tipo de “especialistas em meio ambiente” dão a sua opiniãozinha na tv. Afinal, quem não quer ganhar um troco com a mais nova febre do mundo: a febre do mundo.

É isso mesmo, parece que o mundo está com febre, e nós somos os corpos estranhos do qual ele quer se livrar. Infelizmente, nós e todos os demais seres vivos do planeta. Pelo jeito vai sobrar pouco se a febre passar dos 40º. Na verdade, a febre da terra sobre bem devagarinho, e isso é assustador, porque vamos nos adaptando.

Há um termo em ciência, particularmente em física, denominado de criticalidade auto-organizada, assim chamado por Per Bak, seu idealizador. Essa propriedade física diz que, quando um sistema atinge um limite de suporte, ele entra em colapso, e sua estrutura se modifica completamente, tentando voltar à situação original, mas com severas transformações. Em outras palavras, um exemplo clássico é um monte de areia. Vamos jogando grão por grão, até que acontece uma pequena avalanche. A avalanche acontece quando o limite de altura do montinho de areia é ultrapassado, e ele desaba para os lados.

Com a temperatura da terra passa o mesmo. O planeta tem um equilíbrio térmico para lá de extremamente frágil, delicado, e tem uma capacidade de suporte muito pequena. Nosso problema maior é que ninguém sabe exatamente até que temperatura a terra agüenta ser esquentada, mas há um consenso geral de que é muito muito pouco, provavelmente menos de 2 graus Célsius.

Mas não é para desanimarmos tão facilmente. Esse quadro que estão pintando por aí de que boa parte da superfície terrestre vai se tornar desértica, e isso vai será seguido de uma nova era glacial, nada disso é irreversível. Talvez demore uns 10 ou 15 mil anos para voltar a ser como é agora... Teremos muito tempo para arrependimentos. eheheh


Mas como o assunto é sério, e estamos falando da vida de bilhões de seres humanos, e literalmente da vida de todos os seres vivos no planeta, nem só de brincadeiras se deve fazer esse texto. Sim, há alternativas, e para variar, estão maquiadas por detrás da propaganda sensacionalista dos meios de comunicação de massa. Dizem que a solução é o álcool, dizem que a solução é você que anda de carro começar a andar de ônibus... Sim, claro que isso ajuda. Mas ajuda muito pouco, comparado com tudo o que é preciso fazer, e é urgente, realmente urgente.

Parece até que voltamos à idade da pedra, com uma solução como essas, mas é verdade, e há consenso sobre isso (e consensos são raros no meio científico!). Uma solução viável para conter o aquecimento global e não ficarmos debaixo d’água no novo dilúvio, ou totalmente sem água nos grandes desertos, é plantarmos árvores, por um motivo simples: o principal causador de efeito estufa e aquecimento global é o excesso de carbono na atmosfera (tanto o gás carbônico – CO2, quanto o metano CH4), e as árvores mantém o carbono preso no tronco (os nomes das substâncias que fixam carbono são lignina, celulose, entre outras). Árvores. Quem diria... Se soubéssemos, não teríamos arrancado todas as árvores frutíferas para produzir carvão para siderúrgicas, para fabricar tijolos, para plantar grãos e criar gado. Se soubéssemos disso, teríamos optado por alternativas melhores, quando havia tempo. Mas ao invés disso, nos convenceram de que a soja, o gado e o frango eram a solução para a fome do mundo, e que o cimento, o aço e os tijolos seriam a solução para a falta de moradias no mundo, e principalmente, nos convenceram de que isso tudo sairia muito barato. Bem... agora vemos quem pagou a conta: o planeta inteiro paga, com o aquecimento global.

Sim, estou afirmando que o aquecimento global é responsabilidade de algumas pessoas, empresas, governos, e também (mas só um pouquinho) responsabilidade das pessoas que consomem estes produtos, que por ignorância, ajudam a aumentar os problemas de tod@s nós.

As contas são simples. Basta pegar o total de carbono que tem em suspensão na atmosfera agora, comparar com o que tinha antes do século XV (é possível fazer isso através de diversos meios, como por exemplo as camadas de gelo dos pólos), e ver quanto está sobrando. Isso dará um total... Esse total, você divide pelo quanto 1 árvore consegue fixar de carbono. O resultado será a quantidade de árvores que é preciso plantarmos de novo na superfície da nossa casa-terra.

Para começar, sugiro 15.000.000.000 (isso mesmo, quinze bilhões de árvores). Quem dá mais?

Quinze bilhões nem é muito.

Se apenas 1, 1 árvore por dia for plantada por cada habitante do Brasil, em menos de 3 meses já estaria feito, e seria só deixar crescer. Vai, gente... é muito pouco trabalho e muito pouco tempo para ajudar salvar o mundo!

Só para lembrar... as principais fontes de água potável utilizada pelas pessoas do mundo inteiro são fontes que vêm de florestas. Para cada pé de árvore plantada, plantamos vários pés de água, que suprem as necessidades de tod@s nós


E aí, o que me diz? Eu já comecei

Sempre buscamos conforto

Olá,

Converso freqüentemente com biólogos, sobre diversos assuntos. Um deles, que me fascina bastante, é sobre a teoria da evolução. Como filósofo, me esforço na oportunidade de fazer questionamentos que nem sempre as ciências podem fazer a si próprias.
Nessas conversas com pesquisadores e estudantes de biologia, comumente me confirmam que o ser humano, como qualquer outro ser vivo, sempre busca o conforto, além do alimento e da reprodução.

Nessa linha de "buscar o conforto", criamos, nós-pessoas, todos esses aparatos científicos e tecnológicos que nos rodeiam diariamente, como o computador que você provavelmente está usando agora.

Pois bem, eu também busco conforto.

Estou escrevendo junto com mais pessoas um projeto de pesquisa científica sobre a eficiência de telhados vivos.

Telhados vivos são coberturas vegetais, que podemos utilizar sobre as edificações, sejam casas, hospitais, armazéns, restaurantes, garagens; qualquer coisa que possua teto.

Essas coberturas tem uma função básica: aumentar o conforto térmico e acústico do ambiente sob o telhado.

Mas como isso funciona?
Além de já ter participado da construção de alguns, e de estar sempre procurando algo para ler sobre o assunto, costumo procurar por conhecimento científico, que ajuda bastante na hora de compreender melhor aspectos técnicos da eficiência, implantação, manutenção e custos de praticamente quaisquer tecnologias ecológicas.

Umas noções básicas de física, na área de transferência de calor ensinam que a temperatura é a medida do grau de agitação das moléculas, e que os corpos trocam calor, sempre trocam calor.

E como cada corpo tem sua composição própria, como uma telha de cerâmica, ou uma camada de grama sobre terra, esses corpos também trocarão calor, de acordo com sua composição.
A velocidade de troca de calor depende dos materiais. O nome disso é condutividade térmica.

O que acontece é que os telhados vivos tem uma condutividade térmica muito menor que as coberturas convencionais de metal, cerâmica ou concreto, e por isso trocam calor muito mais devagar.
Em termos práticos, tudo isso significa que as construções com telhado vivo são mais fresquinhas quando está fazendo um calorão, e mais quentes mesmo no inverno mais frio.

Além disso, as plantas em cima do telhado, normalmente plantinhas que crescem pouco, como algumas espécies de grama, elas ajudam na despoluição do ar, atraem passarinhos (que já são uma raridade em cidades grandes), e também regulam a temperatura do meio externo, diminuindo alguns dos principais problemas do efeito estufa.

Estes e vários outros motivos funcionais já justificariam o uso generalizado de telhados vivos sobre as edificações. E mais, tapetes de grama natural são mais agradáveis e bonitos que telhas sujas, mas talvez isso não seja consenso entre as pessoas... Se fosse, creio que muito mais gente teria em casa os telhados vivos.

Na busca por conforto, nem sempre lembramos na pesquisa tecnológica e científica que algumas soluções podem ser mais baratas e eficientes do que outras. Vamos realizar esta pesquisa para ter mais conhecimentos técnicos e científicos que nos permitam dizer com segurança, por exemplo, que em alguns casos um bom telhado vivo é tão eficiente quanto o ar condicionado, no verão e no inverno.
Os mais aptos se adaptam ao meio gastando menos energia. Afinal, o que seria da teoria da evolução de Darwin se não pudéssemos escolher entre algumas condições boas e outras ruins?

Se você quiser saber um pouquinho mais a respeito dos telhados vivos, vão alguns links:

http://www.ces.fgvsp.br/index.cfm?fuseaction=noticia&IDnoticia=56484&IDidioma=1
http://www.unicamp.br/unicamp/canal_aberto/clipping/fevereiro2006/clipping060212_folha.html#4

E vários outros, procurando em algum site de busca da internet como "telhado vivo", "telhado verde", ou "telhado jardim".

Abraços confortáveis,
Daniel Habib

Apresentação

Oi,

parece que conhecemos as pessoas sempre aos poucos. E essa impressão é ainda mais forte quando somos apresentados a alguém novo.
Podemos conhecer melhor as pessoas por um motivo básico: partilhamos inúmeras semelhanças!

Temos em comum a capacidade de comunicações, de ter desejos, de sorrir, de sermos saudáveis e de não sermos, de sermos felizes e de não sermos. E mais que tudo, compartilhamos algo que é comum a todos.
Vivemos sob o mesmo céu, no mesmo planeta, respiramos o mesmo ar e temos a luz do mesmo sol. Isso nos faz muito parecidos, porque temos em comum este entorno, a Terra.

Estive entalhando meu cotidiano nessas últimas semanas. Na verdade, faço isso há uns 7 anos, e nos últimos 3 de um jeito ainda mais intenso. Entalhar-me nos espaços e nos dias, todos os dias.

Depois de um período de parada, semana retrasada voltei a trabalhar com mais intensidade. Viajei um pouco, fiz um retiro, ajudei no projeto arquitetônico de uma casa ecológica para um amigo, continuei nas revisões da minha dissertação, plantei algumas árvores, entrei em um projeto de pesquisa interdisciplinar sobre a eficiência e os resultados da implantação de telhados vivos em construções (trazem soluções para muitas coisas!), continuei minha preparação para o doutorado, conversei com uma amiga sobre comunicação colaborativa on-line para a editora abril, em um portal que está para ser lançado sobre vida sustentável, onde ela trabalha, e mais outras. Um cotidiano bastante diversificado.

Nesse trabalho de 'entalhar o cotidiano', a cada dia percebo novos volumes e formas, novas possibilidades de como eu devo ser no mundo: mais feliz, é claro. Um trabalho artesanal, cuidadoso, que envolve reflexão, e de vez em quando, descanso. Tudo isso procurando por um caminho que aumente as possibilidades para mim e para os outros, respeitando o nosso entorno comum, o mesmo mundo.